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ARTIGO DE OPINIÃO

Pare, Escute e Olhe!

Quantos de nós já nos deparamos com o sinal “Pare, Escute e Olhe” de cada vez que atravessámos uma linha de caminho de ferro?

Quantos de nós já nos deparamos com o sinal “Pare, Escute e Olhe” de cada vez que atravessámos uma linha de caminho de ferro?

Nestes tempos de incerteza atual, tenho muitas vezes regressado a momentos felizes da minha infância, talvez para me refugiar ou para me tentar recentrar e encontrar o caminho a seguir. Uma das imagens que recorrentemente me invade, é precisamente a deste sinal, que tantas vezes respeitei ao atravessar a pé ou de bicicleta a Linha da Beira Alta, nos muitos verões felizes que passei em Mangualde. 

Mas qual será o significado desta recordação recorrente? E de que forma é que esta se relaciona com a situação que vivemos atualmente? As passagens de nível existem para salvaguardar a segurança das pessoas e assegurar o normal funcionamento ferroviário. E se pensarmos no que os Professores e Educadores dos vários níveis de ensino têm sentido desde o início do primeiro confinamento, provocado pela pandemia de covid 19? Não será em tudo muito semelhante à situação de estar na linha de caminho de ferro e ver, bem lá ao fundo, as luzes incandescentes de um comboio a aproximar-se? E o que é que os Professores e Educadores fizeram então (e continuam a fazer até agora)?

Primeiro pararam, não no sentido de deixar de exercer a sua atividade (muito pelo contrário!), mas para se adaptarem o mais rapidamente possível à nova realidade, às novas ferramentas que iriam nortear o seu dia-a-dia e às novas formas de trabalho que necessariamente iriam ser colocadas em prática.

Depois escutaram, os seus alunos, os seus pares, os seus superiores, a sua família, os seus vizinhos, os intermináveis debates públicos sobre o impacto que toda esta situação iria ter na aprendizagem dos alunos e no aprofundar das desigualdades no acesso ao ensino; quer pela falta de acesso a computadores, rede de internet, diferenças no apoio que os agregados familiares poderiam prestar aos seus filhos, entre muitos outros aspetos que continuam a ser discutidos na praça pública.

Finalmente olharam! E diga-se de passagem que o que começou por ser uma experiência de estar no “olho do furacão”, com o passar do tempo e das sucessivas vagas, permitiu que Professores e Educadores adquirissem uma perspetiva única sobre as luzes incandescentes de um comboio a aproximar-se, arrisco mesmo a dizer que para muitos deles, essas luzes se encontram um pouco mais distantes. 

E quem terá o mérito pelo abrandamento do comboio e/ou pela visão cada vez mais distante das luzes incandescentes?  São inequivocamente os Professores, os Educadores, a Comunidade Educativa e todas as Famílias que tiveram a capacidade de se adaptar a este, tantas vezes (erradamente) anunciado como descarrilamento iminente. O que todos eles pedem é que as regras do jogo sejam apresentadas no devido tempo, de forma clara, norteadas pela equidade e que no fundo, permitam que o trajeto do comboio possa seguir normalmente sem colocar em risco mais ninguém.

Ana Silveira | Vice-Presidente da Associação Kokoro. Licenciada em Psicologia e dedicada a projetos de educação inclusiva.

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