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ARTIGO DE OPINIÃO

O jogo

Seja qual for o jogo, a aprendizagem é uma variável constante.

Entre linhas retas e soltas, navegamos por esta vida observando e refletindo sobre o que nos rodeia. Sejam pessoas, sejam objetos, seja a natureza – observamos e produzimos pensamento sobre.

No exercício constante de observação, sou inundada com estas linhas mais retas que soltas e transporto-as para as minhas ações. Estruturo o meu pensamento, estruturo a minha escrita e oriento a minha vida numa arrumação constante. Esta orientação começou por ser em forma de pirâmide; recordo estudar e pensar no ano seguinte como mais um nível que tinha de passar neste jogo da aprendizagem. O objetivo era concluir o jogo da escolaridade obrigatória e começar outro para alcançar a licenciatura. Depois continuei a trabalhar, mas nesta pirâmide da ‘carreira’ também há paragens, subidas e descidas. Mais crescida, deixei estes jogos e passei a brincar com o que observo no momento; neste jogo espontâneo, não há regras, mas os valores orientam as escolhas. Não pensem que este jogo é fácil! Simplesmente temos de acreditar; acredito que posso fazer mais e melhor com as oportunidades que vão surgindo, sejam elas desafios ou soluções. Não há um chão seguro, nem uma escada rolante, mas existem pontos de abrigo onde recupero a energia e saio para mais uma aventura. A principal vantagem nestes jogos espontâneos é a companhia; quando via uma pirâmide, estava sozinha. Havia pessoas que me ajudavam a subir, ou apenas reparei nessas. Mas no jogo espontâneo… Eu escolho as pessoas com quem quero estar e que surgem circundantes aos meus valores.

Seja qual for o jogo, a aprendizagem é uma variável constante. Mas será a pirâmide a melhor forma de viver a aprendizagem? Claro que estamos sempre a aprender mais, mas será sempre melhor? Se apenas quisermos mais – mais conhecimento, mais títulos – acabamos por aceitar muito mais do que os nossos valores orientam? Se para passar um nível temos de fechar os olhos perante a discriminação e a injustiça social, vale a pena ver uma pirâmide? Qual é a pressa?

A aprendizagem é um caminho. E fazemos esta caminhada ao nosso ritmo, sem passar por cima dos nossos valores, sem fechar os olhos a quem surge ao nosso lado e com a certeza de que quaisquer sejam os desafios ou as soluções vamos conseguir dar um pouco mais de nós e seguir a ‘carreira’ que mais gostarmos, subindo, descendo e parando quantas vezes as necessárias.

Catarina Neto | Presidente da Associação Kokoro. Licenciada em Recursos Humanos e dedicada a projetos de educação inclusiva.

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