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ENTREVISTA

A Educação Ambiental no Colégio de Amorim

"Não é uma operação de cosmética, é algo que já faz parte de nós."

Conheçam a iniciativa de Educação Ambiental criada no Colégio de Amorim pela voz dos professores Hugo Sousa, Ricardo Ferreira e Susana Pereira. Um exemplo de ações integradas no currículo que nascem da vontade de professores(as) e alunos(as).

Como surgiu a Vossa iniciativa de Educação Ambiental?

Susana Pereira: O Colégio participa no projeto Eco-Escolas, no projeto Escola Azul e em projetos Erasmus+. Estes abordam a Educação Ambiental e as suas ações pretendem sensibilizar os alunos para a importância de não deitarem lixo para o chão, de reutilizarem todos os materiais, de fazerem a recolha de resíduos e de protegerem o meio ambiente. O currículo de Cidadania e Desenvolvimento tem, também, uma componente de Educação Ambiental e Sustentabilidade, que fazemos questão de trabalhar em pormenor e em todos os anos. É algo que já está bastante enraizado na nossa escola, que não é uma operação de cosmética, é algo que já faz parte de nós.

Ricardo Ferreira: Temos um Conselho Eco-Escolas que é constituído maioritariamente por alunos, dois embaixadores da Escola Azul, representantes da Câmara, e professores do Colégio. Os embaixadores da Escola Azul também fazem várias campanhas de sensibilização para os alunos.

Em que é que consiste ser uma Escola Azul?

Ricardo Ferreira: Temos de ter um compromisso com o Oceano e estabelecer um objetivo; o nosso foi reduzir em 20% o consumo de plástico no interior do Colégio, com uma meta de 2 anos. De entre várias iniciativas, destacamos, “O mar começa aqui” (desenhamos uma sardinha, num sumidouro da via pública no exterior), o mural que mostra a defesa do ambiente e o ‘Peixoto’ (um depósito em forma de peixe para colocar resíduos).

Hugo Sousa: Já fazíamos muitas atividades, mas o que fazemos agora é integrá-las no programa Eco-Escolas e no currículo de todas as disciplinas.

Ricardo Ferreira: Isso também nos obriga a ter um compromisso diferente, o Eco-Escolas contempla 7 passos e nós temos que os alcançar todos.

Qual foi a recetividade da comunidade educativa e de que forma se envolveram na Horta que criaram?

Ricardo Ferreira: Na Horta foi excelente! É a nossa coqueluche. Foi o projeto em que sentimos que há uma proximidade e envolvimento muito grande, tanto com auxiliares, como com professores, com alunos.

Susana Pereira: Quando dizemos ‘vamos à Horta regar ou tirar ervas’, não os conseguimos controlar, a saída da sala de aula é sempre um turbilhão.

Os alunos tomaram para eles a responsabilidade de cuidar do espaço e de garantir que os outros o respeitavam.

Principalmente os alunos mais novos, que têm a sala mesmo virada para a Horta; se viam alguém a fazer alguma coisa que achavam que não era correto, vinham logo dizer-nos.

Ricardo Ferreira: Um exemplo de envolvimento é um aluno do 10º ano que plantou uma suculenta e agora, durante as férias, pediu-nos para regar e para tratar da planta.

Susana Pereira: Também os professores organizam atividades na Horta e, devido à pandemia, esta é usada para diferentes fins com público – um concerto de música no espaço da Horta, a festa de finalistas e a entrega de prémios internos e concelhios.

Hugo Sousa: Aquele espaço tem servido como uma sala de visitas da escola.

Ricardo Ferreira: Tenho uma aluna com necessidades educativas, com currículo alternativo, e as atividades na Horta – regar, plantar e pintar parte do mural – tiveram um impacto muito positivo na sua inclusão.

Susana Pereira: Já encontramos alunos descalços, deitados na relva a conversar e a estudar. O espaço da Horta transmite uma serenidade que eles não têm dentro da sala de aula nem noutros espaços da escola. Vão para a Horta procurar paz e relaxamento, conseguem adaptar-se ao contexto em que estão e respeitam-no. Temos alunos desde o 5º até ao 12º ano e há um código implícito de respeito por aquele espaço.

Hugo Sousa: Não foi uma preocupação nossa de impormos regras, foi algo natural.

E qual foi o envolvimento dos encarregados de educação?

Ricardo Ferreira: Os pais e encarregados de educação este ano não tiveram o habitual acesso físico ao Colégio. Mas fazemos publicações nas redes sociais do que se passa no Colégio, dando a conhecer o que estamos a desenvolver.

Hugo Sousa: Tínhamos uma mãe que era agricultora e ajudou-nos a tratar da Horta: colocou uma tela para plantarmos e acompanhou a sua criação.

Ricardo Ferreira: Dinamizamos um workshop intitulado ‘Horta na varanda’ que foi promovido em colaboração com a Lipor, que nos deu formação, e que se destinou a professores, auxiliares e encarregados de educação.

Hugo Sousa: Informamos os encarregados de educação sobre estas atividades, incluindo a recolha de eletrodomésticos, das cápsulas de café, das tampinhas e há sempre muito envolvimento.

Ricardo Ferreira: Vamos lançando desafios. Por exemplo, para comemorar a Semana Europeia da Mobilidade, os alunos com o apoio dos encarregados de educação filmaram o caminho casa-escola de bicicleta e no fim do ano construíram um carrinho de rolamentos.

Hugo Sousa: Celebramos sempre o Dia Europeu Sem Carros e às vezes promovemos caminhadas ou mesmo percursos de bicicleta. Pedimos ao Colégio para colocar um estacionamento para bicicletas e já temos utilizadores, sobretudo alunos do secundário.

Que desafios têm encontrado no âmbito da implementação da Vossa iniciativa?

Hugo Sousa e Susana Pereira: O principal desafio é o tempo.

Susana Pereira: Isto tudo não sai do horário pré-definido, sai do nosso tempo pessoal e essa gestão nem sempre é fácil.

Hugo Sousa: Ou vimos mais cedo ou aproveitamos os intervalos ou o final do dia para regar. Colocando as coisas na balança o saldo é positivo, porque depois os alunos também começaram a contribuir e a envolver-se mais.

Em que medida, esta iniciativa transversal, apoia o desenvolvimento de competências junto dos Vossos alunos?

Susana Pereira: Desenvolvem dois grupos de competências, as competências curriculares e as transversais. Na disciplina de Ciências, as professoras levam os alunos à Horta para reconhecerem insetos, analisarem os tipos e características das plantas. Em termos de competências transversais, estas estão associadas à cidadania, à participação ativa, à responsabilidade, ao respeito e ao cuidado.

Ricardo Ferreira: Tendo em conta o perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória, esta iniciativa responde às componentes curriculares e às transversais, como a responsabilidade, o espírito crítico e a autonomia.

Qual a Vossa perceção sobre os efeitos desta iniciativa no bem-estar dos alunos?

Ricardo Ferreira: Depois do segundo confinamento, no 3º período, os alunos puderam espairecer com algumas aulas organizadas no espaço exterior, sempre respeitando as regras de segurança e de convívio social.

Susana Pereira: Por exemplo, organizei aulas de Cidadania no espaço da Horta no âmbito da Educação para a Saúde. Como vinham de um período de confinamento, foquei-me em questões de Saúde Mental e a partilha da parte deles é mais fácil neste ambiente informal.

Naquele espaço, os alunos sentiram a liberdade para dizer aquilo que queriam, o que é muito bom; foi aí que percebi que há muitos alunos que não têm padrões de sono adequados, devido à pandemia, e só consegui ter acesso à informação porque escolhi dar as aulas naquele espaço livre.

Após o sucesso na implementação desta iniciativa, que outras gostariam de criar para o Vosso contexto educativo?

Hugo Sousa: Acho que o projeto principal é manter, e ir aumentando a Horta, na medida das nossas possibilidades.

Susana Pereira: A vontade e as ideias temos, agora só nos falta mais tempo.

Saiba mais sobre as iniciativas do Colégio de Amorim aqui!

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