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Cadernos Anónimos

Vivências de profissionais da educação em Portugal.

Entrevistamos profissionais da educação em Portugal.

Aqui protegemos a identidade dos/as entrevistados/as e libertamos a sua voz para partilhar as suas vivências na área da educação em Portugal.

O que recorda do seu percurso desde a formação como professora até ao início da carreira como tal?

Relativamente à formação, foram 5 anos de aprendizagens úteis, em parte, mas recordo-me de sentir que a maioria delas eram muito teóricas e que faltava mais formação prática, que só aconteceu no último ano do curso. Julgo que a componente prática deveria estar presente desde o primeiro ano, o que resultaria numa melhor preparação no momento em que chegássemos à escola.

O ano de estágio foi desafiante, embora o facto de na altura ainda ser um estágio remunerado e ter tido uma turma “só minha” (além das turmas das orientadoras, onde cada estagiária lecionava um módulo) tenham sido fatores cruciais para o sucesso desse último ano da licenciatura.

Qual a sua opinião sobre as principais preocupações vividas pelas crianças e jovens?

As preocupações de cada criança ou jovem dependem muito das características da própria criança (a maneira de ser, a idade, etc.) e do seu enquadramento social e familiar. Há crianças que se preocupam com o seu sucesso escolar, por exemplo, enquanto outras não veem isso como prioridade ou motivo de preocupação. Outras crianças têm mais preocupações a nível familiar ou a nível do grupo de amigos, quando procuram ser aceites pelo grupo, corresponder às expectativas do outro e, em determinada fase do seu desenvolvimento, conhecer-se e aceitar-se tal como são.

Como avalia as oportunidades de desenvolvimento profissional para professores?

Não estando no ativo há já 7 anos, não tenho perceção das atuais oportunidades. A nível de formação, penso que há uma oferta significativa e acesso facilitado. A nível de progressão na carreira, julgo não estar facilitada.

Como viveu o processo de passagem abrupta para um “ensino remoto de emergência”?

Uma vez que, desde há 7 anos, a minha prática letiva acontece somente a nível de explicações (particulares e em contexto de centros de estudo), essa passagem foi mais fácil do que a dos colegas que lecionam nas escolas. As explicações “à distância” na área das línguas e humanidades são completamente viáveis, e facilitadas, não só pelas plataformas de ensino à distância (com as quais não estava familiarizada, mas a que me adaptei muito facilmente), como também pelas ferramentas de acesso à aprendizagem teórica e prática atualmente existentes “online”. Todos os alunos particulares optaram por se manter “online” depois da quarentena obrigatória (por motivos, não só de segurança a nível da redução de contactos para evitar a propagação da doença, mas também devido à facilidade e flexibilidade de horários, e deslocações que conseguimos evitar), só tendo regressado fisicamente aos centros de estudo.

O que gostaria de ver mais e de ver menos na sua profissão em Portugal?

Gostaria de ver mais professores motivados para a lecionação, nomeadamente em contexto de escola. As várias razões que têm levado ao decréscimo do número de professores nas escolas devem ser atendidas. Os professores estão descontentes com a situação atual, quer pelas dificuldades e obstáculos com que se deparam na progressão da carreira, pelo excesso de burocracia, pela injustiça no aumento dos salários quando comparado a outras profissões, descontentamento que têm vindo a manifestar.

Posto isto, gostaria de ver mais motivação e menos descontentamento.

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